O mercado do artesanato no Rio Grande do Sul, até 1997, mostrava-se estagnado.
Nas ilhas que cercavam Porto Alegre, os artesãos encontravam-se isolados do centro da capital, produzindo e comercializando informalmente seus produtos e se associando de maneira bastante rudimentar. O artesanato constituía-se em uma forma alternativa de comércio, em que o artesão não fazia parte de um mercado industrializado e competitivo, isolando-se no seu próprio nicho. O isolamento não permitia que esse comércio ganhasse uma escala de produção que o tornasse competitivo.
O baixo conteúdo técnico do processo de manufatura contribuía para a pouca visibilidade dos produtos. A lã era a única matéria-prima utilizada e atendia, exclusivamente, à demanda proveniente de uma única estação do ano, o inverno. No verão, os artesãos sobreviviam dos recursos gerados na outra estação. A ausência de uma preocupação com o design e a utilização restrita de matérias-primas, contribuíam para o baixo valor agregado dos produtos.
Com os invernos cada vez mais curtos, era difícil garantir um mercado para o artesanato durante todo o ano. A artesã Brunilde Fritsch afirmou o seguinte:
“Com a escassez do inverno, a principal característica do artesanato gaúcho, que é a produção têxtil da lã, está com os dias contados. Estamos em dificuldade financeira.”
Quais seriam as alternativas que poderiam ser implementadas para diminuir o caráter sazonal do artesanato?
Como se ampliaria o mercado?
Essas questões inquietavam Brunilde e estimulavam o debate, considerando que o estuário do grande rio Guaíba, que margeava Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do país, e pontilhado por várias ilhas, era um povoado constituído, em grande parte, por famílias de baixa renda.