Situada no sudoeste do Estado de São Paulo, Fartura é conhecida pela grande fertilidade da terra roxa de seus 429 km2. A vocação agropecuária do município é inquestionável. Além da cruz que mostra a fé de seu povo, o brasão da cidade contém figuras de peixes, do vale fértil e do arado, circundados por ramos de milho e café. Com uma população de pouco mais de 15 mil habitantes em 2000, quase 1/4 residia na zona rural, segundo dados de maio de 2007, da prefeitura.
No final de 2003, os agricultores locais ainda se dedicavam às culturas herdadas dos seus antepassados, mas enfrentavam as incertezas do setor. Os investimentos na ovinocultura estavam basicamente nas mãos de pequenos produtores. Pouco a pouco a criação de ovelhas acabou se tornando a atividade principal do município.
Willen Bortotti, em 2005, era o líder de um grupo de 17 ovinocultores. Havia incentivado, junto com seu amigo Júlio Mazetto, a profissionalização do setor porque acreditava no potencial da ovinocultura no Brasil. Afinal, o País ainda importava ovinos para atender ao consumo interno, principalmente do Uruguai.
Em julho de 2006, existia uma grande oportunidade a ser aproveitada. Se ele conseguisse melhorar a sua criação, não teria nenhuma dificuldade para comercializá-la com um excelente resultado financeiro. Ao mesmo tempo, havia ovinocultores que desistiam da atividade, porque ela não rendia o mínimo necessário para compensar os riscos.
Bortotti sabia que precisava tomar uma decisão e procurar convencer os outros criadores a seguirem o mesmo caminho. Só não sabia ainda qual seria esse caminho. Havia uma margem muito grande para a melhoria da qualidade da criação, o que poderia ser conseguido por meio da incorporação de novas matrizes ao rebanho e da introdução de técnicas modernas de manejo. Cada criador investiria tanto quanto os seus recursos pessoais permitissem.
Ele vislumbrava também racionalizar custos por meio de uma parceria entre os ovinocultores. Entretanto, essa não era uma tarefa trivial, por razões culturais. Nunca é fácil criar o associativismo efetivo onde não há exemplos anteriores bem- sucedidos. Caso essa fosse a sua sugestão, e desse errado, ele seria considerado responsável.
Bortotti poderia seguir o caminho da solução individual. Resolveria o seu problema pessoal de ovinocultor, correndo os riscos de trilhar sozinho uma rota ainda desconhecida. Tendo sucesso nessa estrada ou não, serviria como farol para seus colegas, mostrando o caminho a ser seguido ou a ser evitado.
Bortotti poderia, por outro lado, investir sua energia na formação de uma parceria entre todos os produtores, procurando formas de racionalizar o processo. Para que isso acontecesse, precisaria convencê-los de que a associativismo traria menos independência individual nas decisões, mas criaria vantagens amplamente compensadoras.