Em 1999, a empreendedora Maria Helena Monteiro Alves Bastos deixou uma bem-sucedida carreira numa empresa multinacional da área de recursos humanos para realizar um antigo desejo: adquirir a fazenda onde nasceu, cresceu, namorou e casou, para plantar café.
Uma fazenda no município de Dourado, centro geográfico do Estado de São Paulo, região desbravada pelo sonho do café, no final do século XIX. Com o passar do tempo, o algodão e depois a cana-de-açúcar dominaram a paisagem agrícola.
No início do século XXI, 51 países participavam do mercado de café no mundo. Apenas 19 eram responsáveis por 94% do total exportado. O Brasil era o maior deles e, junto com a Colômbia e Vietnã, respondia por 53% das exportações mundiais de café em 2001.
O Brasil mantinha relevância, sobretudo por ser o único a ter um forte mercado interno e a exclusividade de produzir e exportar as variações do café arábica e robusta. A maior parte, entretanto, como grão verde. Como commodity1, isso fazia com que o café respondesse por menos de 5% das divisas geradas pela exportação naquele período.
Ainda assim, o Brasil começava a ganhar território de qualidade com o café nos 14 centros de produção que subiam do Paraná à Bahia e se estendiam a Rondônia. O Estado de Minas Gerais era o maior produtor. São Paulo tinha dois eixos de referência: o da Mogiana e o de Piraju-Tejupá.
No cenário imaginado por Maria Helena, quem plantava, colhia. E foi assim que ela fez. Mas, na comercialização da primeira safra, o preço do café estava em baixa. Quando viu que poderia perder o investimento das economias de uma vida toda, a empreendedora teve de repensar estratégias e buscar alternativas para vencer o desafio de agregar valor ao produto.