No centenário do poeta Drummond, os 13 mil moradores de Tabatinga por pouco não apareceriam no reflexo do grande espelho brasileiro de uma típica "cidadezinha qualquer" do célebre verso.
A dependência da agricultura, base da economia desta cidade paulista, se desenhava como destino. No início, fora o ciclo do café, depois a cana-de-açúcar e a laranja. Durante a colheita, havia emprego garantido. Fora da safra, não havia muito a fazer além de "espreitar o tempo pela janela".
A 340 km da capital estadual, Tabatinga está localizada na região de Araraquara, uma das mais ricas do estado de São Paulo. Tem como vizinhos as cidades de Gavião Peixoto, do nascente pólo aeronáutico nacional e Ibitinga, referência estadual no cenário dos bordados. Apesar dessa proximidade, é provável que, até pouco tempo atrás, os moradores nem em sonho pudessem imaginar que seu empreendedorismo estivesse tecendo uma "cidade especial".
A construção dessa cidade passou pela consolidação de uma nova vocação econômica: a fabricação de Bichos de Pelúcia e Artigos para Recém-nascidos, identificada através do diagnóstico do PRODER (Programa de Emprego e Renda), realizado pelo Sebrae/SP em 1999.
Com o envolvimento da Prefeitura e da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária, Tabatinga convencia-se de que sua maior fonte de emprego e renda poderia vir dessa atividade. No imaginário mundo dos bichinhos, os moradores começavam a ganhar asas.